MPT-SE participa de roda de conversa sobre violência contra crianças e adolescentes
Evento reuniu profissionais que atuam no combate e prevenção da violência, além de estudantes
A violência e exploração sexual contra crianças e adolescentes foram tema de uma roda de conversa nesta terça-feira (21), no Centro Universitário Pio Décimo (UniPio), em Aracaju. O procurador do Trabalho e coordenador Regional da Coordenadoria Nacional de Combate ao Trabalho Infantil e de Promoção e Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes (Coordinfância), Alexandre Alvarenga, foi um dos palestrantes do evento e falou sobre a exploração sexual como uma das piores formas de trabalho infantil.
“O que caracteriza a exploração sexual de crianças e adolescentes é o caráter comercial da violência. Infelizmente, essa prática criminosa acontece, muitas vezes, no próprio seio familiar. O combate a essas violações é um dos eixos de atuação do MPT. O maior problema que enfrentamos é conscientizar a sociedade. Recebemos poucas denúncias sobre o tema e isso dificulta a nossa atuação”, explicou o procurador.
A advogada Glícia Salmeron destacou as políticas públicas de atendimento e ações estratégicas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. “Muitas vezes, os meninos e meninas vítimas da violência são invisibilizados e não entram nas estatísticas. O Brasil não pode mais ser considerado um país de exploração sexual”, frisou a advogada.
Estudantes dos cursos de Direito, Letras e Psicologia participaram da roda de conversa que contou, ainda, com a psicóloga e neuropsicóloga Larissa Gomes e o sargento da Polícia Militar Thiago Rodrigues, que atua no Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). “Há alguns anos, numa das ações do Proerd, recebemos o relato de uma criança que estava sendo vítima de abuso sexual. Isso me abriu os olhos para estudar mais sobre o tema”, contou o policial.
A psicóloga Larissa Gomes destacou como ocorre a prática clínica num contexto de violência sexual e a importância de uma escuta humanizada. “A abordagem desse tema deve ser feita sem revitimizar a criança ou adolescente que passou pela violência. É importante ter uma conduta de acolhimento”, afirmou a psicóloga.
CRAI-SE
Durante a roda de conversa, os palestrantes destacaram o trabalho realizado pelo Centro de Referência no Atendimento Infantojuvenil de Sergipe (CRAI-SE), em funcionamento desde 2022. Esta foi a primeira unidade do Norte/Nordeste com espaço físico especializado no atendimento e acolhimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. O CRAI-SE é resultado de uma ação conjunta do Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE), Ministério Público de Sergipe (MPSE) e da Justiça do Trabalho, que destinaram recursos judiciais provenientes de indenização por dano moral coletivo, para a construção do Centro em área anexa à Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), em Aracaju.
O alerta contra a violência foi apresentado, ainda, pelo projeto Anjos Azuis, da Guarda Municipal de Aracaju (GMA). Com o teatro de fantoches, o grupo destacou os sinais apresentados pelas vítimas e a importância de contar com o apoio de amigos, familiares e da comunidade escolar.
A estudante de Direito e estagiária do MPT-SE, Mariana Sobral, participou da roda de conversa. ”É importante ver o reconhecimento do MPT-SE e difundir, no ambiente acadêmico, a atribuição do Ministério Público do Trabalho no combate à violência contra crianças e adolescentes. Viver essa experiência diariamente e ver que as pessoas ao meu redor agora também conhecem é gratificante”, concluiu a estudante.

