Atuação sindical é tema de Audiência Coletiva no MPT-SE

Escrito por ASCOM em . Postado em PRT Aracaju

Evento reuniu representantes de entidades sindicais e estudantes nesta quinta-feira (6)

O auditório do Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) ficou repleto de representantes de entidades, centrais sindicais e estudantes nesta quinta-feira (6). Eles participaram de uma audiência coletiva, conduzida pelo procurador do Trabalho Ricardo Carneiro, para apresentação de dados sobre três projetos desenvolvidos no âmbito do MPT: Sindicalismo e Diversidade, Juventude no mundo do trabalho e combate a atos antissindicais.

“O movimento sindical é um dos principais protagonistas das conquistas que temos na Constituição de 1988. É preciso que o movimento sindical perceba tudo que foi construído e a necessidade de se reinventar diante das novas relações de trabalho”, afirmou o procurador, que também é coordenador Regional da Coordenadoria Nacional de Promoção da Liberdade Sindical e do Diálogo Social (Conalis).

Procurador do Trabalho Ricardo Carneiro
Procurador do Trabalho Ricardo Carneiro

Participaram da mesa de abertura do evento o superintendente Regional do Trabalho e Emprego em Sergipe (SRTe), José Cláudio Silva Barreto, a vice-presidenta da Central Única dos Trabalhadores em Sergipe (CUT-SE), Caroline Sousa Santos, a presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas (ASSAT), Dayse Coelho, o presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (SESCAP-SE), Francinaldo Rodrigues, o coordenador do Centro Acadêmico de Direito da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Márcio Henrique Silva, e o estudante de Direito da Universidade Tiradentes, Pedro Pinheiro.

Resultados

Em relação ao projeto de combate a atos antissindicais, de 2022 até agora, foram instaurados 26 procedimentos e celebrados seis Termos de Ajuste de Conduta (TAC). “Esse é um viés que tem um braço investigativo muito forte. O que muitos sindicatos não tinham era o hábito de denunciar. Esse cenário mudou e as empresas foram se conscientizando, pouco a pouco, que esse tipo de atitude depõe contra o próprio empresariado”, afirmou o procurador Ricardo Carneiro.

Sobre o projeto Sindicalismo e Diversidade, o procurador destacou que o cenário, em Sergipe, aponta que não há política sindical adotada, nem cláusula de proteção voltada ao público LGBTQIAPN+. Os dados mostram que apenas 5% das normas coletivas de Sergipe têm registradas, no sistema mediador, cláusulas relativas à diversidade no trabalho, a exemplo de isonomia salarial, igualdade de oportunidades, reconhecimento de nome social e combate à discriminação, por exemplo.

O olhar voltado à juventude no mundo do trabalho ainda é um desafio para os sindicatos. Isso porque muitos jovens não acreditam no sistema de proteção trabalhista e não se sentem parte da atuação sindical. “O sindicato, de modo geral, não se abriu a essa possibilidade. A falta de informação é um dos principais fatores, o que demonstra que os sindicatos precisam se comunicar mais com a juventude”, pontuou o procurador.

Mediação e negociação coletiva

Outra etapa do evento foi o debate sobre a negociação coletiva. O chefe da Seção de Relações do Trabalho da SRTe, Nilson Socorro, ressaltou as vantagens de estabelecer o diálogo e resolver conflitos. “O objetivo da mediação é aproximar as partes, que são iguais nesse processo”, explicou. Nilson Socorro também afirmou que Sergipe se destaca na conclusão de mediações, sendo 84 contabilizadas em 2025.

Chefe da Seção de Relações do Trabalho da SRTe, Nilson Socorro
Chefe da Seção de Relações do Trabalho da SRTe, Nilson Socorro

A vice-presidenta da CUT-SE, Caroline Sousa, acredita que a audiência foi um espaço produtivo de debates. “Espaços como esse são muito importantes para nós, porque o mundo do trabalho está passando por diversas mudanças. Hoje, a CUT apresentou questões relacionadas à Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência e a Administrativa, que penaliza os servidores públicos. É importante ouvirmos, também, os pontos apresentados pelo MPT, para que o movimento sindical possa debater e colocar em prática”, destacou.

Como representante de uma das entidades ligadas à classe patronal, o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada de Sergipe (Sindesp-SE), Sandro Moura, defende uma maior participação dos empresários em eventos como este. “É importante que os empresários participem desses debates. O MPT-SE é imparcial e não vê apenas o lado do trabalhador, mas também do empresariado. Enfrentamos muitos desafios no setor produtivo. Os entes laborais e patronais precisam estar juntos para construções em benefício de todos”, concluiu Moura.

Representantes sindicais e estudantes participaram da audiência
Representantes sindicais e estudantes participaram da audiência

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