MPT-SE visita Casa de Passagem Acolher

Escrito por ASCOM em . Postado em PRT Aracaju

Objetivo é ampliar rede de apoio e proteção às pessoas em situação de vulnerabilidade

“O mais difícil é o período da noite, quando não tem um lugar para dormir. Na rua, a gente não tem como tomar banho, nem onde guardar as coisas”. A fala, de Alcir Lopes, tem o peso de quem viveu essa realidade tão difícil. Como ele relata, parar nas ruas não era algo que ele imaginava passar. “Não foi uma opção. Aconteceu”, afirma.

Alcir Lopes: "Quem vive nas ruas espera mesmo é seu lar, ter dignidade".
Alcir Lopes: "Quem vive nas ruas espera mesmo é seu lar, ter dignidade".

Depois de algum tempo, Alcir Lopes foi recebido na Casa de Passagem Acolher, em Aracaju, em 2019. Ficou cerca de dois meses na unidade e depois voltou às ruas. Aí veio a pandemia e ele conseguiu ser acolhido em outra instituição. Agora, depois de conseguir uma oportunidade de emprego, pouco a pouco, ele tenta reconstruir a vida. “As Casas de Passagem são importantes, porque oferecem uma assistência. Mas quem vive nas ruas espera mesmo é seu lar, ter dignidade”, ressalta Alcir.

Para conhecer melhor a realidade desses equipamentos públicos, que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade, o Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE), no âmbito do Projeto Caminhos para a Dignidade, tem realizado visitas às instituições, com o objetivo de ampliar parcerias para encaminhamento dos assistidos a cursos de capacitação e vagas de emprego.

Na última terça-feira (10), o procurador do Trabalho Adroaldo Bispo esteve na Casa de Passagem Acolher, localizada no bairro Salgado Filho, zona sul da capital sergipana. A unidade, que integra a rede de assistência do Município, tem capacidade para 40 pessoas, sendo 22 homens e 18 mulheres. “A partir dessas visitas, observamos a necessidade de alguns ajustes nos serviços, especialmente a criação de um fluxo de atendimento de melhoria da rede. Embora cada órgão faça a sua parte, percebemos que não há uma comunicação efetiva entre eles. Além disso, dentro do Projeto Caminhos, avaliamos como é possível contribuir para que a geração de trabalho e renda, o empreendedorismo e a empregabilidade alcancem, também, esse grupo, para que as pessoas, ao deixarem essas Casas de Passagem, saiam com a perspectiva de trabalho para a própria sobrevivência e de suas famílias”, pontuou o procurador.

Visita à Casa de Passagem Acolher
Visita à Casa de Passagem Acolher

Além do procurador Adroaldo Bispo, participaram da visita os servidores da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (Seteem), Alcir Lopes e João Victor Silva, a coordenadora do Projeto Banho para Todos, Evânia Andrade, e a coordenadora do Projeto Cirineus, Mylla Andrade, iniciativas parceiras do Projeto Caminhos para a Dignidade, coordenado pelo MPT-SE. Todos foram recebidos pela coordenadora da Casa de Passagem Acolher, Karinna Rocha, que falou sobre o funcionamento do local. Diferentemente de outros equipamentos públicos, a Casa de Passagem Acolher também recebe famílias. Hoje, entre homens, mulheres, crianças e idosos, são 31 pessoas atendidas.

Os assistidos podem permanecer por 90 dias, mas o prazo pode ser ampliado. Há casos, por exemplo, de pessoas que chegam à Casa de Passagem com problemas emocionais, de saúde e sem qualquer tipo de documento de identificação. “Enquanto estão aqui, nós temos acompanhamento técnico que faz toda a diferença. Assim que chega à unidade, nós fazemos um prontuário com todo o histórico, para acompanhar o seu processo de evolução. Nosso objetivo, como o próprio nome diz, é que eles passem e sigam com uma vida digna”, explicou a coordenadora Karinna Rocha.

Alcir, ex-assistido da Casa de Passagem Acolher, faz planos e renova as esperanças por si e por tantos que precisam de ajuda. “A gente precisa acreditar e agarrar as oportunidades que surgem. E o que a gente espera é que tenham novos espaços como esse, para atender mais pessoas”.

Imprimir