MPT-SE capacita Rede de Atendimento às Vítimas do Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas no sertão sergipano

Escrito por ASCOM em . Postado em PRT Aracaju

Treinamento voltado às Comissões Municipais aconteceu nas cidades de Canindé de São Francisco e Monte Alegre

Como identificar e acolher uma trabalhadora ou um trabalhador que foi vítima de trabalho análogo à escravidão ou tráfico de pessoas? Essa pergunta foi respondida na capacitação realizada pelo Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) voltada aos integrantes das Redes Municipais de Enfrentamento ao Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas dos municípios de Canindé de São Francisco e Monte Alegre.

As duas cidades já criaram suas respectivas Comissões Municipais de Enfrentamento ao Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas (COMTRAEs), implementaram o fluxo de atendimento às vítimas e, agora, estão em nova fase, com esta capacitação. O objetivo é dar autonomia aos municípios no combate ao trabalho escravo contemporâneo e tráfico de pessoas. Além do acolhimento às vítimas, por meio de suporte assistencial e psicológico, o treinamento reforça o caráter preventivo da iniciativa, com a identificação de trabalhadores que estão em condições de vulnerabilidade e a oferta de oportunidades de inserção no mercado de trabalho.

Procurador do Trabalho Adroaldo Bispo
Procurador do Trabalho Adroaldo Bispo

O procurador do Trabalho Adroaldo Bispo, coordenador Regional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conaete), destacou o papel da qualificação profissional no enfrentamento às violações. “Primeiro, nós buscamos unificar a percepção do que seja o trabalho escravo, do que seja o tráfico. Segundo, apresentamos propostas de atuação promocional, no sentido de nós minimizarmos esse estado de vulnerabilidade da população, que é uma potencial vítima do trabalho escravo. E, a partir desse trabalho de prevenção, oferecermos qualificação profissional e oportunidades de trabalho e renda, de modo que essas pessoas consigam, efetivamente, sair da vulnerabilidade e usufruir o seu direito à plena cidadania e à dignidade da pessoa humana”, apontou o procurador.

Presidente do Instituto Social Ágatha, Talita Verônica da Silva
Presidente do Instituto Social Ágatha, Talita Verônica da Silva

O treinamento envolveu teoria e prática, com análise de possíveis casos de exploração, para preparar os integrantes da rede e incentivar o pensamento de medidas efetivas de acolhimento às vítimas. “O objetivo dessa capacitação é empoderar os atores nesse combate ao trabalho escravo. Tivemos um momento mais prático, com uma oficina que trouxe um estudo de situações ilustrativas de possíveis casos de trabalho escravo e tráfico de pessoas, para saber como agir e preparar os atores nesse acolhimento das vítimas”, explicou a presidente do Instituto Social Ágatha, Talita Verônica.

Para a coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Canindé de São Francisco, Renata Marinho, a dinâmica permitiu vivenciar os desafios do atendimento e compreender a articulação necessária entre os órgãos da Rede. “Essa capacitação foi muito enriquecedora, pois trouxe esclarecimentos sobre como denunciar, como identificar a vítima do trabalho escravo ou tráfico de pessoas. Entendemos o processo de resgate e pós-resgate e a participação da Rede para que a gente consiga, como profissional da Assistência Social, disseminar as informações corretas à população”, observou a coordenadora. 

Assistente Social de Canindé de São Francisco, Maria Feitosa
Assistente Social de Canindé de São Francisco, Maria Feitosa

Os profissionais da Assistência Social dos municípios terão um papel fundamental no suporte psicológico às vítimas resgatadas. A assistente social de Canindé de São Francisco, Maria Feitosa, destacou a importância do trabalho do pós-resgate. “Nós vamos contribuir no sentido de acolher essa pessoa que foi vítima, trazer segurança, facilitar o acesso aos seus direitos, minimizar o dano causado pela violação trazida pela vivência na condição de vítima do trabalho escravo”, disse. 

A área da Saúde também desempenha um papel essencial no fluxo de prevenção e assistência. A coordenadora de Vigilância em Saúde do município de Monte Alegre, Carol Dias, ressaltou a importância do atendimento às vítimas. “Vamos desempenhar a função de identificação e prevenção dos casos atuando na base, através da atenção básica, dos agentes comunitários de Saúde, como também no atendimento às vítimas, desempenhando o cuidado psicológico e físico”, afirmou.

Capacitação em Monte Alegre aconteceu na sede do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS)
Capacitação em Monte Alegre aconteceu na sede do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS)

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